domingo, 18 de junho de 2017

OFÍCIO

Escrevo para que eu não subtraia do mundo as belas idéias que me vêm, pela simples arrogância de julgá-las dignas ou não de serem escritas. 
Nesse nosso mundão veio, sem porteira, com um tanto de cerca e cercos mentais. 
Mundo cão, de cachorros de todos os tamanhos, 
mundo baum, Sebastião.

Tem tanta gente boa, por aí. 
Gente que eu conheço,  gente que está por vir.
Se eu não registrar essa sensação de que já as espero, como é que vou provar que esperava mesmo? Esse mundo é documental! Você tem que assinar a lista de presença, tem que votar ou justificar, tem que colocar seus diplomas na mesa e comprovar seu currículo com certificados e fotos, senão no quo.
Então deixo registrado pra mostrar pro amor da minha vida a vontade e a certeza da sua chegada. Porque eu ainda espero o amor da minha vida,
mesmo tendo uma coleção das mais refinadas aventuras e desastres que poderiam ser sentidos.

Não é de hoje que meu coração é dado! 
Eu me dou ao meu coração desde que ele bateu a primeira vez e nunca mais passei um dia sem pensar em escorá-lo e deixar macias as paredes de mim, 
pra ele poder pulsar e dar cambalhotas sem se bater no meu ser humano, 
tão vil e perigoso quanto todos os outros seres humanos, 
tão misterioso e divino quanto meus irmãos de matéria.
Se engana em achar que porque eu trato a todos como reis sou uma serva resignada. 
Eu sou serva, mas só pra semear a humildade ao meu redor, 
só pra mostrar as delícias de servir ao servidor.   
Aí vem os vícios de conduta, 
ensinados como fórmulas de sobrevivência, 
adequação ou expertise 
e destroem o laguinho de areia que a criança da minha alma construiu como poço de desejos.

Todos os que tiraram uma lasquinha do meu coração estão afetados por ele, pra sempre. 
Vou de medalhão à inspiração, 
de anti depressivo à fonte da juventude, 
de morte de conceitos à eternidade do amor.
E eu amo! Amo todo dia! 
Acordo amando os sonhos ou entendimentos que tive, ou simplesmente abraço os cinco travesseiros que me dei de presente, fora meu lençol, levinho, que parece uma nuvem. 
Amo a água das minhas plantas e a comida que teve no almoço. 
Amo o céu da cidade onde vivo, de dia e de noite, com estrelas ou com sol 
e amo a escolha de ter vindo morar aqui tanto quanto a proximidade da minha partida.

Por isso é que escrevo. 
Por amor a mim, às palavras que borbulham na minha mente e, 
principalmente,  
por você que agora lê. 
Desejo que elas também borbulhem na sua cabeça, ou dancem, ou derretam, ou se percam, façam vocês dois como quiserem: 
você e as palavras que lê. 
Eu já me codifiquei.


Portanto, venho pedir minhas humildes desculpas pelos meses em que não servi ao amor que nunca me decepcionou - meu ofício de escritora 
e licença ao universo para prosseguir com um trabalho , que no fundo nunca parei. 
Tudo era registrado pelo world do meu emocional.

Nenhum comentário:

Postar um comentário