segunda-feira, 16 de setembro de 2013

E quem foi que te perguntou, poeta?

O negócio é ficar calado..
Deixar cada destino riscado
Se fazer naturalmente.

A mente informa apenas as compreensões dela própria
Por isso as verdades são sempre relativas.

Eu dou as mãos aos meus companheiros cansados de luta
Por um ser humano melhor... por ética na conduta... pela transparência, semente das qualidades
Não nos esgotamos, que isso é incondizente com nossa natureza, mas tem muitos estafados.

Daí safras serem guardadas no esconderijo da adega.
Daí largamos as cidades e a convivência interpessoal pra falar com bicho, num entendimento muito mais pleno do que com os seres humanos... ou entramos de vez nas nossas preciosas bibliotecas, onde escutamos palavras escritas.

Nem uma polegada de força há, em mim, para segurar minha verborragia diante do que  vira do avesso.

Essa criança ainda tem vez, seu boçal! Ninguém nasce com o destino selado!
Não, não acho divertida a sua piada venenosa, nem seu poder manipulador,  nesse viciante nicho ecológico que constrói, setorizando afetos.
Nada dessas vantagens que você conta me causam qualquer desejo!
Pode ficar... no final das contas, clichê ou não,  nem queria mesmo.

“pequenas – grandes maldades humanas”

Aí, o poeta com seu sangue antônimo ao das baratas, não segura o verbo,
E diz na cara do sujeito, que seja limpo!

E quem foi que te perguntou, poeta? Quem diabos quer saber o que pensa?
Você vem, com esse vestido bordado de metáforas, e acha mesmo que alguém vai enxergar alguma coisa, além do seu corpo nu?

Enrola e recolhe tua língua, tampa e guarda a tua caneta
Vai pra dentro de si e se der, não deixa muita gente te acompanhar

Pra vida não triturar sua boa vontade, ainda na adolescência da sua consciência. 

3 comentários:

  1. Bela obra Gisa que você compartilhou. A última fala me lembrou a desfecho que Platão dá ao poetas na Republica, mas intensamente atual.

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  2. Este comentário foi removido pelo autor.

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  3. ...uma vez... quando era menino, aquela coisa me intrigava, perturbava os instintos, em sentidos de criança mesmo: querendo ver mundo, saber das coisas, revirar segredos... Olhei profundamente para o objeto. Era e não era uma caneta. Pois desenhava, sabia. Rabiscava paredes, também sabia. Sujava a ponta dos dedos, numa distração o rosto - e ficava sujo. Então precisava saber que diabos afinal é uma caneta: abri-lhe a tampa; arranquei-lhe a trava, puxei-lhe o bulbo... Esmaguei o bulbo! e tudo de tinta que tinha espirrava ideias, esguichava cores, pensamentos loucos, atiçando minhas linhas mentais! Sorri. Perante o segredo revelado, saber que numa simples caneta existia um outro mundo - dali em diante desisti de ser adulto.

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