segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

CARTA NA MANGA

Sou escritora...
Não sei o que diabos Deus faz dos meus calçados, mas vou ilesa, pelos caminhos.
Vou sã, apesar de tudo! Com a dignidade dos meus versos, melhores, infinitamente melhores que eu e a honestidade nos meus atos falhos de criança romântica.
Eu pago a minha língua e a língua que me difama! Pago com a merda desse dinheiro sujo, que conduz a atitude de um ser humano, na mesma cotação de seus afetos elementares.
A poesia é uma das minhas maiores aliadas. Ela me segura em quedas inimagináveis e flori a minha esperança. É ela quem me dá ar, no meio do rio da existência.  
Sou uma dama com uma carta na manga.
Tá todo mundo perdoado, viu? Os homens canalhas, as mulheres falsas, os amigos interesseiros, todo tipo de gente manipuladora, os invejosos, os mesquinhos...
Perdão generalizado a todos e pedidos pessoais de esquecimento, total, da minha existência.
Está tudo bem!  No mínimo usarei suas péssimas atuações como gente pra material na composteira dos meus sentimentos.
Só não tenho mais o mesmo coração. Injetaram metal demais nas minhas artérias.
Sinto muito, mas eu leio as linhas miúdas dos contratos que me oferecem e tá pra nascer quem vai fazer uma proposta adequada pela minha nobre alma.
Portanto, guardem suas salivas, suas bajulações, guardem seus esforços.

Estou indo embora de vocês, pra continuar habitando em mim.
E não tenho o menor plano de voltar!

domingo, 21 de setembro de 2014

Ai, o coração...
Esse cão, que teima em querer dar pulos, nos momentos inapropriados.
Esse analfabeto, que não sabe ler os avisos da razão.
Esse maluco, que parece querer pular do peito e sair andando atrás de quem ama, quando eu mesma não mexerei um músculo de onde estou.

Sinto muito, cárdio-amigo
mas sou eu que sigo pelas estradas
por onde planta confusão!

Portanto, fica quieto, bate mais calmo, faz faxina aí dentro
que posso não controlar seus batimentos,
mas estou perto de inventar uma maneira de não lhe dar mais atenção.

sábado, 23 de agosto de 2014

Carta de amigo

Calma, amigo! Respira só mais um pouco, antes de submergir.
Não se afogue.. Deixa eu te falar!
Esse mar fica até melhor sem sal.
Algumas relações a gente costura, outras só gruda com cola quente.
Marcas, qualquer um, com mais de vinte anos, possui uma coleção.
Quantos amores eternos você já viu acabar? Quantas vezes um sonho seu se quebrou?
Todo mundo sangra, todo mundo caga, todo mundo erra, todo mundo sara.
As imagens não vão ficar pra sempre distorcidas...
Deixa o tempo mertiolatar os joelhos ralados da sua alma. Fica de pé!
Dê vivas e seja grato às tranças que Jah faz, que ele gosta mesmo é de um planeta nagô, com todo mundo entrelaçado.
Cada um possui  algo de impressionante para ofertar  pra outro alguém. Tratemos de nos estudar pra ensinar coisas melhores!
Olha na cara do seu monstro, segura a juba do seu leão, olhando no fundo dos olhos.
A chance de ser o herói de si, é dada na mesma medida do drik dos infernos: covardia e preguiça num copo de nada.
E por falar em nada,  respira só mais um pouco, antes de submergir!
Estufe seu peito, deixa seu eu tomar o espaço merecido dentro de seu corpo cansado. Ele deve estar exausto também.
Receba-se! Abra as portas de si para si! Ofereça-se todos os cuidados, como se fosse a visita mais ilustre.
Somos nós que enxugamos nossas lágrimas, no final das contas. Cada um sabe a própria cota de irrigação.

Ah, uma ultima sugestão!
Tente manter o seu foco de visão em  sua própria história, que não vale de nada viver se você não for o protagonista dela.

Bom mergulho!

CANÇÃO PARA OS CACHORROS


Cachorro leproso, é contagioso
Cachorro perdido, caso resolvido
Cachorro encontrado, cretino, viado!
Cachorro fudido, humor deglutido
Cachorro que arde, perdeu uma parte
Cachorro do bem, que bom, diga amém
Cachorro com sarna, cuidado que é karma
Cachorro maluco, oxi Pernambuco
Cachorro confuso, que é de fácil uso
Cachorro cansado, festejo  emprestado
Cachorro que caga e a fala equipara
Cachorro invejoso, galeto gostoso.
Cachorro valente, mais bicho que gente
Cachorro que dança, caiu da mudança
Cachorro tadinho, que nem passarinho
Cachorro que é salvo, da mira, do alvo
Cachorro em risco, tudo num rabisco
Cachorro de fé, tinham dois com Noé
Cachorro que sara, que a vida é cara
Cachorro ileso, mas, sempre,  indefeso
Cachorro que é um mel, amigo, fiel
Cachorro que abraça, protege, que caça.
Cachorro que a alma, só se vê com calma


segunda-feira, 18 de agosto de 2014

FESTIVAL DAS DESVERDADES


Não sei se é porque grande parte das mulheres, de hoje, sentam em estilingues e se arremessam nas caras dos rapazes,
Se é porque o costume de meter em qualquer buraco, ao molde das cabritas e bichos das roças, se tornou padrão de felicidade
Ou se é essa atmosfera toda que faz com que não saibamos quando estamos diante de um bom homem ou uma boa mulher.
Só sei que o amor tem andado, um pouco, escasso.

Eu devo ser muito antiquada, realmente, mas pra mim é bem diferente um olhar de amigo e um flerte de pegar fogo.
Antigamente se distinguia quem nos desejava, quem estava  envolvido conosco de um brother.
Aí o amigo guarda por você paixão calada e as paixões preferem posar de amigos.
E os casais? Meu Santo Antônio, que acuda! Pra que ficarem juntos se querem ficar separados? Acho digníssimo hábitos modernos entre parceiros, adoro as liberdades acordadas, mas o que eu vejo é só hipocrisia mascarada de educação e sentimentos todos enrolados.
No festival do chifre, não é possível que eles pensem que a ciranda não pega mal.   

Eu não sou desse planeta mesmo! Tô mesclando, na minha cabeça, Raul com cantiga popular:

Oh! Oh! Seu Moço
Do disco voador
Eu não sou daqui... marinheiro só!

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

PROFISSÃO DE FÉ


Como é que eu vou me convencer de que estender a mão é dispensável? 
Irmão, que braço amputado é esse do teu coração?
Ver o desespero na tua frente e não se importar, e não ter o ímpeto imediato de interferir não é pra quem lapida a alma com o bem!
E mesmo que sigamos a ideia por karmas e darmas, reencarnações, pagas da vida...
Que é isso, senhoria? Honra tuas glórias com generosidade genuína. 

Perceba o que é de escolha e o que é de ignorância.
Onde for feliz, fica. É só por isso que se vive. É na felicidade latente, de desejos bobos alcançados, que mora o regozijo e a paz.

Mas se ver, diante do teu olhar a tragédia de uma alma boa, anunciada, ou o caminho inseguro de um amigo, não se poupe no seu "spa" de egoísmo

Desnecessário é deixar passar a chance de fazer uma bondade genuína, pois elas resplandecem, como estrelas. Como a alma de cada ser deveria ser.

Se busca ser luz, não veja a escuridão sem fazer algum trabalho!

às vezes a gente se sente como uma menina, de cidade pequena,
observando... por quem suspira,
levar outra moça na garupa da bicicleta



segunda-feira, 28 de julho de 2014

MAPEAMENTO

Quando se olha para os próximos anos das nossas vidas e não se gosta do que vê, há um problema definitivo
e é hora de se transformar,
mesmo que seja pela milésima vez!

O tempo pontua tudo. Alguns aprendizados são ritos de passagem e não se pode ignorar a transformação que causam. Que nem aquelas crianças que passam meses para aprender a ler ou escrever, e ao despertar, um belo dia, esses conhecimentos aparecem de uma vez.
A gente vai acumulando detalhes até o susto do inteiro, se fazer.

Podemos nos apiedar e perdoar a maldade alheia, mas ela nunca deve ser irrelevante.
Há que se saber quem, precisamente, cada pessoa é para que lhe seja dado o lugar merecido em nossas vidas. Gente que se confunde com o amor universal corre um enorme risco de errar na dosagem. 
Amor por si, antes de amar qualquer alguém!
Atenção aos princípios ativos e reforçamentos, tanto positivos quanto negativos.

Que sempre exista, em nós, um espírito de sim, receptivo e disposto, mas que também tenhamos a consciência do nosso livre-arbítrio e da liberdade de construirmos nossas existências e elos, da maneira que desejarmos, nos traços da nossa felicidade, escolhida.


Viver é um trabalho autoral sobre si!

A gente escreve, no agora, a próxima página.




quinta-feira, 29 de maio de 2014

Se o poeta tem o apogeu,dentro uma única alma,
ele fica saciado, 

mas, o que a poesia pode causar...

- incomensurável -


é que lhe deixa satisfeito!

domingo, 18 de maio de 2014

PALADAR


Eu reconheço meus amores no ato!
É como um brasão, um tipo sanguíneo.
Eles vem ironicamente diversos, com suas características humanas peculiares mas, todos com suas mesmas matrizes de sentimentos.
Eu gosto do macho alfa, do malandro rei, do diretor do espetáculo, do cantor, do oracular.
Gosto dos que me emocionam, dos que parecem meio maltratados, mas mantém o velho porte de protagonista.  Ah, como eu gosto de um nobre vira-lata!
Eu vejo lá no fundo da íris o reflexo do meu amor mais bonito. Vejo toda possibilidade do mundo e a satisfação de imaginar que será alguém, dessa estirpe, que irá estar lá, quando acontecerem..
Eles vêm me melhorar, me inspirar, me comer até os ossos, me pôr diante do meu avesso!
Eu saúdo um amor com a corte que ele merece, e o experimento de todo coração até que mostre a que veio. Nenhum deles  acontece sem propósito.
São como gigantes, titãs dentro da nossa alma. Ninguém fica impune.
E esse sal, esse amargo, esse doce são para serem degustados e, para tanto, sábio é aquele que apura o paladar.
Ao invés de reclamar dos velhos machucados do amor, usemos nossas cicatrizes como tatuagens.
Se passou, não era o definitivo! Se foi covarde não era merecedor!  Se quebrou era de vidro e o que é pouco sempre acaba.
Trago o coração todo costurado...  mas escuras ou claras, exuberantes ou simples, minhas suturas foram feitas por linhas de sentimentos dos quais me orgulho.
Quando personagens do passado, sem sono, sem dono, vêm chorar suas consciências despertadas, eu ofereço os lenços brancos da generosidade, cortados dos lençóis em que antes nos deitávamos  e onde, outrora, sonhei com eles.
Enxáguo minha alma com um rio de lágrimas e morro nessa submersão, pra me refazer Iara.
Há pra mim um grande amor, a prova está nos, tão inesquecíveis, já vividos, que ficaram pela estrada.
Tenho bom gosto pra escolher um homem, mas tenho lucidez pra perceber se ele é ou não o meu.

Eu sigo encantada, o veneno das maçãs de conhecimento só me fortalecem. Tenho castelo, carruagem, escolta... só falta o verdadeiro rei. E, de tanto sonhar, acho que nunca estarei cansada pra recebe-lo, quando, finalmente e felizmente chegar.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

SANTUÁRIO

Não me interessa seu corpo, eu quero um pouco da sua alma!
Meu coração tem os milagres de Maria,
Minhas lágrimas são douradas como as do espírito das cachoeiras.
Eu tenho mãe, eu serei mãe.
A luxúria não sacia meu apetite.
Além do topo do meu interior, que você alcança, tem uma flecha infinita.
O amor é o gatilho dessa flecha!
Minhas memórias são os ossos da minha história,
Cada respiração e tudo que faço, desperta ou desfalecida, são atuais e contínuos.
Do meu beijo saem canções numa língua que não conhece.
Sou a sacerdotisa e a escolta do meu santuário.
Sua ignorância não me causa mais que escoriações... eu saro.
Igual à uma árvore muito velha, em minha seiva há sagrada fonte de vida.
Só vou, se puder operar milagres.



quinta-feira, 24 de abril de 2014


Vontade de passar a mão por dentro da pele e da carne do meu peito esquerdo,
Furar as grades de ossos do meu tórax e chegar até onde mora o meu coração.
Queria colocá-lo no colo, adular suas batidas e dizer que ele é bom, que me dá orgulho e que ainda haverá o dia em que será completamente feliz.

Se eu pudesse, desfaria com mil dedos os nós que andaram lhe dando, 
soltaria suas tranças, desembaraçaria suas raízes...

Essa noite de outono, eu dormiria abraçada ao meu coração
E na completude de nossa solidão, haveriam promessas e lembranças.
E na dignidade de nossos valores e esperanças
Madrugada adentro, nos amaríamos.

quarta-feira, 2 de abril de 2014

CHAPELEIRO

Na sequência das falas, Alice devia dizer:
As melhores pessoas são as loucas.. 
mas, muito provavelmente, elas vão levar bordoadas a vida toda!"

sexta-feira, 21 de março de 2014

NA HORA EM QUE FULOR

Poesia não se pensa... não se força... não se pede...
ela brota que nem orquídea, na hora em que fulor