domingo, 8 de dezembro de 2013

SOLICITAÇÕES MÍNIMAS

Ah, sim! Tem que ser um herói! Tem que ser sobre-humano, sendo natural, mente, gente, comigo.
Tem que soprar para meus ventos girarem.  E segurar minha mão pra eu pular os galhos do caminho. 
Pede-se que seja cortês e  não minta! Desejamos homens honestos!

Se ele souber poesias, que as fale. Se tocar um instrumento, que ritime minhas canções!

Quero um olhar que me vista, me dispa com suas genialidades

Eu falo! Eu recito! Eu pergunto! Eu explico! Eu abocanho! Eu degusto!
Toda curiosidade do mundo mora no meu coração!

O que é que você me traz? Qual é o enredo dessa sua encarnação?

Venha com a coluna da sua alma, ereta!
Venha suave como uma pousada de verão e voluntarioso, como o mar!

O desejo é por: um homem-sol!

desejos de lua

quarta-feira, 13 de novembro de 2013


TRAVA LÍNGUA BEM QUE PODIA SER UMA TRAVESTI, INTERIOR,
QUE SEGURA A LÍNGUA DA GENTE,
QUANDO ACONTECE A VERBORRAGIA
algumas vezes o nosso coração é que nem a garrafa 
que a gente não arremeça e quebra na parede...

desistimos, 


com ele na mão, 

porque seremos nós que cataremos os pedaços 

dá preguiça depois de certa idade

terça-feira, 22 de outubro de 2013

FOTOGRAFIA

Foi no meio de um beijo.
O casal ainda se conhecia...
E suas salgadas noites de amor não previam doçuras além de uma boa amizade.

Beijavam-se sedentos, até que, no rasto do oxigênio, veio o novo
O susto


Ambos pararam. Apaixonados! 

Nunca tinham visto aquele olhar, igual nos dois, no rosto de um de outro.

Aquilo era uma fotografia emocional!

ARRUMAÇÃO

Babilônias podem se tornar absolutamente desinteressantes
Quando se tenta voltar para elas,
depois de ser tão só,
e não achamos, nem mais, nosso rastro por lá.

Nos últimos dias, me dei folga de tudo!

Era muita informação na fila da minha compreensão..

Precisava arrumar os móveis novos, as velhas malas, os espaços ganhos..

Lavar a varanda da minha alma.
Testar a pele e os sentimentos, como guias da minha Divina Comédia

E meditar, em luz amarelada,
refletindo sobre o branco e o vermelho que tenho visto
na minha própria cara,
refletida naquela que eu mais tenho gostado de ver.

Não girei com o mundo por nada
O que entreguei ao tempo não é mais meu
Terminarei o que vim fazer, mesmo que meus fazeres se alarguem.
Sou uma mulher que honra votos!

Chega uma parte da vida
em que pensamos ver a diferença entre amor e paixão
entre opinião e verdade
ou vontade e condição.

A ironia ri do presunçoso!

Que sejam bem sucedidas minhas pegadas, ainda não marcadas,
mas que aceito e batalho por vislumbrar.

terça-feira, 1 de outubro de 2013



"Sabe quem eu vi?  BEM-TI-VI!
Sabe quem beijou? BEIJA-FLOR!
Sabe quem morreu?

meu amor"

(domínio público)





frankensteiniana

Pelos latidos do meu cachorro eu sou grata,
Esse som inicial, da família que um dia vou construir.
Vão-se mais de cem amores já passados
E alguns filhos que até ensaiaram existir.
Modificados planos e poemas, sentimentos legendados,
Cirzem a linha em que equilibro minha vida.
No alto das idades passadas e ao pé dos anos que estão por vir.
Remendada, em santa humanidade,
Orgulhosa de minhas respirações que continuam indo e vindo,
Colocando os cheiros do lugar onde estou mais e mais dentro de mim,
Dissolvendo, como a água dessa chuva que cai, as lágrimas saudosas dos beijos lembrados,
Vou nadando, peixe desastrado, tubarão de mim, sereia frankensteiniana.
Como se o tempo fosse um baralho, um tarô impreciso do destino.
Bebo um cálice a mais de vinho, brindo com desincorporados, escuto autores do passado e escrevo, escrevo, escrevo palavras maiores que eu, elas sim, absolutamente sem fim.
Como um astro, do céu desterrado, qual estrela perdida em noite negra, vou resistindo em brilho, cometa,
tentando achar a constelação que no final me dirá um sim.


segunda-feira, 23 de setembro de 2013

SENSÓRIO-MOTOR

Do menor arrepio, crescem todas as promessas de prazer.
Beijos longos pra beber a alma pela língua.
O indecifrável, no segundo eterno, na lembrança presente, que se constrói diante dos meus olhos e dos seus. Imprevisíveis desfechos para histórias que não se quer parar de escrever.
Já passamos sem nem termos chegado, já chegamos sem nem termos saído.
As mil caras do amor, no respeitoso contato de novatos e cautela, fruto dos dessabores já sentidos.
Indica-se mover o corpo, descarregar dos tabus, confiar no bom trato, gêmeo ao que se oferece.
Pode ser que a felicidade esteja exatamente aí, no sangue lubrificando as veias, no riso avermelhando a cara.
Brinquedo sensório-motor, fantasia que nunca falha!


segunda-feira, 16 de setembro de 2013

E quem foi que te perguntou, poeta?

O negócio é ficar calado..
Deixar cada destino riscado
Se fazer naturalmente.

A mente informa apenas as compreensões dela própria
Por isso as verdades são sempre relativas.

Eu dou as mãos aos meus companheiros cansados de luta
Por um ser humano melhor... por ética na conduta... pela transparência, semente das qualidades
Não nos esgotamos, que isso é incondizente com nossa natureza, mas tem muitos estafados.

Daí safras serem guardadas no esconderijo da adega.
Daí largamos as cidades e a convivência interpessoal pra falar com bicho, num entendimento muito mais pleno do que com os seres humanos... ou entramos de vez nas nossas preciosas bibliotecas, onde escutamos palavras escritas.

Nem uma polegada de força há, em mim, para segurar minha verborragia diante do que  vira do avesso.

Essa criança ainda tem vez, seu boçal! Ninguém nasce com o destino selado!
Não, não acho divertida a sua piada venenosa, nem seu poder manipulador,  nesse viciante nicho ecológico que constrói, setorizando afetos.
Nada dessas vantagens que você conta me causam qualquer desejo!
Pode ficar... no final das contas, clichê ou não,  nem queria mesmo.

“pequenas – grandes maldades humanas”

Aí, o poeta com seu sangue antônimo ao das baratas, não segura o verbo,
E diz na cara do sujeito, que seja limpo!

E quem foi que te perguntou, poeta? Quem diabos quer saber o que pensa?
Você vem, com esse vestido bordado de metáforas, e acha mesmo que alguém vai enxergar alguma coisa, além do seu corpo nu?

Enrola e recolhe tua língua, tampa e guarda a tua caneta
Vai pra dentro de si e se der, não deixa muita gente te acompanhar

Pra vida não triturar sua boa vontade, ainda na adolescência da sua consciência. 

terça-feira, 20 de agosto de 2013

Se no princípio era o verbo e ele era Deus, então em que tempo o diabo se escondeu no mal uso da palavra?

- Bandeiras da nossa Dignidade -

Guarda uma renda bonita para tampar seus olhos para certas humanidades.
Quem enxerga só com o coração, vê bem mais acertado e sente um pouco menos dor.

O ser humano é na vaidade viciado e a luxúria, prima dela em primeiro grau, tira, até do próprio sexo o gozo libertado.


Nos tornamos marionetes de nossos maus costumes,

reunindo, sem ter outra opção, um secto de bajuladores das nossas piores características.
Aos poucos, tão acostumados que ficamos ao cheiro dessas perfumarias, escolhemos esse padrão para a nossa condução e esquecemos aquelas tão adoradas versões de nós,
que nos fizeram felizes em tempos luminosos, quem sabe... até em demasia e, consequentemente, pra elas mesmas, segos.

É dia novo, e a bandeira que erguemos na última madrugada
pode ter, sem que saibamos ou desejemos, tocado um solo de tempo místico, onde foi traçado o mapa do resto de toda a caminhada.

Perdemos muita coisa cara por descuido de passada.

O ponto de Deus é mais forte... só ele sabe as curvas na frente da
da estrada,
mas a escolha dos passos é nossa, assim como é nosso o retrato que levaremos no estandarte, bordado escolha à escolha, desenhando o rosto da nossa verdade.

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Ó, MINAS GERAIS

Minas Gerais é uma terra muito generosa! Você dá um espirro e quando levanta a cabeça tem um pé de acerola repleto de frutinhas.
Sai pra comprar a manteiga que tá faltando, lembra que é feriado quando vê tudo fechado, e a tia que mora na esquina, para pro cachorrinho te lamber toda, entra portão adentro e busca a melhor manteiga artesanal do mundo pra emprestar.
Volta pra casa e acha um feijão quentinho que a dona, que lhe aluga o quarto, deixou, junto com doce de uma fruta amarela local, que parece ser pequi.

Se tá muito quente, chove, mas não demora pra garantir a noite estrelada.

Se te deixa insone pelo silêncio demasiado, esse mesmo silêncio garante os estudos e meditações da madrugada e bons sonhos toda manhã de folga, até os passarinhos cantarem mais alto meio dia.

JOGO DRAMÁTICO

pode mudar o elenco, podem mudar as luzes e o cenário...
do seu próprio mundo você continuará protagonista
e seus sonhos continuarão movendo cada passo da sua caminhada

GENÉTICA POÉTICA

DESABAFO - sobre as manifestações e o fogo que queima o Rio de Janeiro e a mim

Se eu pudesse esperar mais tempo, esperaria...
Se certa fosse a sua chegada, nem sairia...
mas a vida é estrada mista, onde o saber e a dúvida não delatam velocidades.
Esperemos, nós dois, que o intenso cronograma das nossas idas e vindas
conte com um amor escudeiro e com a sorte de ser breve e preciso o nosso depois!

domingo, 2 de junho de 2013

Cantiga do Anjo

Como voto genuíno
o amor se faz presente

Porque toca suas assas, assim
espontânea... mente...

penas não se curvam, quando forçadas
por mais que o anjo tente... tente... tente



terça-feira, 28 de maio de 2013

PICADEIRO

Podem ser tão cruéis quanto as distâncias, certas naturezas humanas. 
O que é que eu ainda espero,  se já conheço a sua maneira de caminhar, cem metros antes do seu primeiro passo? 
Somos mais manjados que as gagues imortais de velhos palhaços.
Eu tento... medito... alongo... permito... analiso... mas no final das contas morro, como morre o meu amor de desnutrição e o seu, pelo apetite não saciado.
Faz-se necessário um poema, mas só o que vem é um bufão.
Faz-se necessária o sagrado, mas sou só o que vem é uma poeta.
Somos feitos de tinta!
A mágica do nosso circo, com lona bordada em versos, só se sustenta se o mastro central for alto, infinito!
E nós, estradeiros, verdadeiros, pés de valsa, dançadeiros, alegretes só podemos ficar juntos se for pra oferecer o maior espetáculo da terra ou negamos os votos que fizemos, de mãos dadas, antes de dar nossos mortais, nuvens abaixo.
Somos as feras que domamos, a espada e a garganta, o arame que balança sobre a morte e o caminhar da equilibrista.
Em direção ao centro do picadeiro, segurando lágrimas pra manter minha maquiagem!
Parece que o gran finale será uno, apenas um solo meu, sem nenhuma troca de corações... como um pierrot que abre o peito e mostra as vísceras de uma amor não correspondido, embaraçadas, como fitas coloridas num nó.


quinta-feira, 23 de maio de 2013

PRA AMAR... PRA VIVER... PRA ACREDITAR


HONESTIDADE

Tão ciente de ti, por ter-te cá dentro de
Tudo que me é cognoscível ao talo
Vejo flores, no pó do meu sonho caro
Em saudades, frias, gotas de sereno
Claros antídotos pros nossos venenos
E nós, cegos, das estrelas desatados.
Seres frontalmente desnudados
Referenciais esclarecidos
Delatam humanos parecidos
Mas de provável disparidade
Nela, ilusão de identidade
Pra dias e noites tão sozinhos
Repletos de silêncios, ou companhias
Das cartas marcadas em velhos baralhos.
Saudável é a eternidade fora das ilhas
Vá na frente a honestidade, tomar atalhos, riscar trilhas.

terça-feira, 14 de maio de 2013

BOLHAS DE SABÃO

Os seres humanos rodam por todo um labirinto de caminhos até chegar ao próprio miolo.

Como se voltassem para a sua primeira placenta e dessem um abraço, longo, em si.

Descobrir como a lua cabe, inteira, dentro de cada pessoa, ao mesmo tempo;
jogar-se, como em um rio, no beijo de amor e de amigo;
ser padrinho dos filhos de todos os seus, até parir a si próprio para gerar outro alguém.

Retratos de nós em caras tão diferentes...
Textos que escrevemos nas bocas do infinito...

Não há culpados a serem punidos ou intocáveis.
Todos, os que estão vivos, sofrem,
mas os caminhos são de se caminhar e "carece ter coragem".
As fadas e os duendes, por mais diferentes que sejam, vivem no mesmo reino elementar.

Tudo é absolutamente nosso e é dever de cada criatura de boa vontade espalhar seu amor, com a entrega e a pureza das bolhas de sabão que se sopra para crianças.

Só quando se escuta os versados da natureza é que se entende a missão da poesia.

Ser grato por tudo que acontece a nós,
sem uma gota de juízo de valor e um mar de aprendizado
é a chave que destranca a porta entre o chão e todo o céu de sonhos que lhe cobre.





OLHO DE JAH


A lua não se move se ela não quiser. Essa dama, quando sai, vermelha, como nos últimos dias é sinal de que vai resplandecer no céu, da maneira que desejar.

Ai, me dá um papel, que caneta eu sempre trago uma entre dentes, pra escrotizar as pequenas grandes maldades humanas.

Mas calma, poeta! Deixa o papel sem letras tomar banho de estrelas, deixa a cabeça sob o sol antes de fazer a sua poesia. 

Observe os cardumes se realinhando depois de se separarem numa curva, as sequências das ondas no mar e como formam buracos na areia submersa, as núvens anunciando as tempestades e as cigarras os novos dias de sol.

Tudo que existe pertence a Jah e cada ser tem absoluto direito de ocupar o espaço da sua existência.

Pode ser que, em breve passado, alguma tristeza tenha levado seu sorriso,
Mas o futuro é bem alí... e amanhã pode caminhar em sua direção um lindo moreno molhado de mar.
Quem sabe onde você vai morar ou o que vai estar fazendo?
Onde sua coragem pode lhe levar?


Seja grato até pelas lágrimas que caem dos seus olhos, pois irrigam de dentro pra fora a prova da sua capacidade de sentir.

Tudo se transforma, sem nunca deixar o amor motor elementar!

Há muito que se aprender com a natureza das coisas! 

Aprume-se, melhore-se, defenda-se e absorva.
Gostar de quem se é

é o princípio da boa sorte!

sexta-feira, 12 de abril de 2013

DAMA DE ESPADAS

Quando uma poetisa vira no samurai, pega a pena bem diferente.
Sempre dói, sempre é ardente!

Tira da veia aquela velha caneta e bota o pente fino da navalha na boca, pra tocar gaita quente, onde o alvo dos versos vai dançar!

Ninguém, aqui, veio a passeio, nem pra mico de circo, pra começar.
A sexualidade feminina já foi liberada faz muito tempo pra homem ainda achar que ele fica bonito com dezenas de corações pendurados no pescoço, que nem orelhas arrancadas na batalha.

Se é pra medir libido, formo um coro pra testemunhar!

Que seja, então, a festa da uva! Tanto Dionísio quanto Oxóssi já me contaram: enquanto tiver bambu tem flecha e se tiver vinho, terá parreira pra balançar.

É o baralhão? Cuidado com a dama de espadas!

Lembra bem de onde você saiu e dos peitos que te amamentaram, quando você ainda usava fraudas!


CATEXIA

Em todo investimento psíquico que faço por nós, onde meus movimentos engolem os seus, há mais eu, que nós.


São os meus sonhos e pulsões que lhe desenham e, sendo assim, você próprio não pode me saciar.
Porque existe num lugar muito distante, tem suas genuinidades, desejos e mesmo que eu me encaixe neles, nunca será na quantidade suficiente da catexia que eu demando.

Quando tratamos a nossa alma enferma, o primeiro passo é retirar o princípio, doente.

Impossível ficar esperando que supra minhas expectativas, que alimente o meu amor com o soro do seu. Não é da sua natureza, nem acho que deva ser da de ninguém, mas no seu caso, não há nem disposição para tentar. E eu quero um herói!

Assim, como não é do meu direito alterar traços estruturais da sua personalidade.
Você é tão pássaro quanto eu era antes de inventar essa história impalpável, fantasiosa e meu falso desejo -coloca a nós dois, numa gaiola.


Buscar pela válvula que machuca é princípio de morte, não de vida!

Às vezes o problema não está na canção, está no disco!

Como posso dizer que o quero, se o que quero é diferente do que você é?

É necessário olhar de fora de nós, tanto quanto de dentro. E no olhar geral, está na hora de perder a ilusão do controle, que um instante de satisfação causou e defecar de vez essa ligação indigesta pra ver se, retirando da minha garganta o seu falo e as suas mentiras eu canto novamente, limpa, com o eco da minha própria voz.

Acharei entre os machos da minha espécie um que regenere minhas esperanças e não que ative, sem freio, meus traumas e fobias, nesse cotidiano "de ja vu" do mal.

Tudo esclarecido?
Voe fora da minha vista!
Grata pela contradança!
Isso é tudo e nada pessoal!

quarta-feira, 3 de abril de 2013

MÁSCARAS SOCIAIS


A discrição sobre a própria "loucura" salvou Galileu e também pode te salvar!
Tá, que hoje não se queima, mais, herege na fogueira
Mas vai que tentam te curar?

Artaud viveu mais no hospício do que no teatro e Rimbaud adolesceu de poesia.

Amarra a pantera da tua fúria com um laço florido e nó apertado!
Existem características dos loucos, que são os poetas, que são o seu relicário

muita gente fofoqueira... muita máscara, pouca cara verdadeira

Pode parecer que não, mas no mundo de hoje em dia,
em que todos se usam de maneira tão vazia
a fogueira das vaidades é a mais difícil de pular.

segunda-feira, 1 de abril de 2013


Me enrolar num céu de estrelas,
 deitar a cabeça na lua, 
rodar as hélices do vento 
e dormir abraçada com Deus, 
ao som da natureza que corre nas veias dele 
e nas minhas.


LOBISOMEM

    Em noites de lua cheia, cuidado com seu imaginário
    ser humano ser um bicho, será fato secundário
    Cada afeto virá místico, lembranças serão cenário
    O amor dançará, latente, independente ao destinatário
    e você sairá voando, pra fazer amor no céu por direito ou arbitrário.



VERDADE



Não peça que compreendam sua poesia

ou devolvam seus passos de dança no mesmo compasso

amar é ver, nas diferenças entre si e o outro,

a possibilidade de uma trindade:

você, o outro e o amor compartilhado


Apenas seja, e perceba se quem deseja amar se encaixa,

deliciado e apaixonado, nessa sua intimidade.


O amor é um bordado ousado e natural

feito da simplicidade e do magistral.

segunda-feira, 25 de março de 2013

HÁ QUE SER...

Nessa loucura que é a existência, nós, encarnados, nos sentimos muito sós...

É coisa do cordão umbilical cortado e da corrente sanguínea separada da mãe.
Somos sempre muito sós, por natureza, e mesmo os que se dizem mais duros, procuram a completude da emoção primordial, que não passa de amor, puro e simples, como o da gestação.

Aí a gente esbarra com alguém que dá um flash, um relâmpago, uma fagulha prometeica e
tudo pega fogo num piscar de olhos. É instinto incombatível e primordial.
E quanto mais nos acostumamos à falta disso, mais - vulneráveis à, e sedentos de.

Só que inevitavelmente ficamos velhos e começamos a nos amar por nós mesmos, já que é tão difícil encontrar alguém que cure essa dor desesperada da separação de um todo e da solidão das partes. 
Como se paríssemos a nós mesmos, novamente, sem separar o cordão dessa vez.

Nesses momentos, de parto e amamentação, temos de tomar muito cuidado com os pretensos amantes que nos cercam.
Sim, que vão sempre se apaixonar pelo instante do resplandecer.
.
Novidades amorosas têm que ser tratadas com cautela em momentos de transição ou podem furar nosso próprio olho e desviar o foco da construção do amor por si, novo, filho de si e suas legítimas escolhas.

Há que ser... pra poder amar! Respeita a tua fogueira e as cinzas que se tornarão asas.

Ainda mais se trouxeres no peito um coração em tratamento, ferido recentemente de amor ruim... Corações podem demorar a sarar.

Só quem gosta de si profundamente, pode encontrar outro alguém ciente do amor que deseja trocar.

sexta-feira, 15 de março de 2013

quarta-feira, 13 de março de 2013

Estrelas com as quais sonhou...



Não esqueça o juramento do seu coração sobre a verdade de amor que nele existe!

A vida é cumprida e tudo faz-se perfeitamente. 
Guarda o que for valioso pro tempo merecido.

Não pare em qualquer encostamento só porque escureceu a estrada, 
ou faça filhos em cada cama que te engolir ...

Mas, receba tudo que vier, nobre e grato como a sua força interior.
Assuma suas pegadas, independente de quantos rastros agregar.
Aceite sua função de encarnação e brilhe, no que for fazer, para funcionar como guia.
Vá tranquilo, porém atento, sem se descuidar das promessas e nem de onde imagina chegar.

Você saberá em que cabeceira de mesa estará a sua cadeira, em qual rede você olhará as estrelas com as quais sonhou e qual é a paixão, que entre todas as outras, vai estar nesse mesmo balanço, como na sua alma, familiar e pessoal a lhe abraçar.



quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

QUINA

Você pode rasgar todo o verbo, trocar sua bermuda por terno, raspar a barba pro tapa pegar melhor...
Se debater dentro do nó, esquecer seu nome de batismo, encenar um pulo num abismo, quebrar suas imagens, mentir ateísmo, correr desvairado, se encher de pó...
Pode se contorcer, botar os pés na cabeça, virar o tampo da mesa...
Jurar tudo pertencer a você... 

Fotos arquivar, cores inverter, ensaiar flores, disfarçar dores e até soltar gargalhadas na tristeza... que ela não vai retroceder.
Enquanto lágrimas caírem quentes e o amor se decompuser - falecido - nada que foi será esquecido, nada que faça lhe mostrará diferente.
Devia saber disso todo aquele que se esconde, devia saber disso todo aquele que mente...

sábado, 2 de fevereiro de 2013

No carnaval a pele é a roupa, a máscara é cara e o sucesso a euforia!
Todos são possíveis amores e cada folião uma obra prima!
Fica de pierrô quem quer.. cada um pode escolher ser arlequim ou colombina.

"Ai, quem me dera no meu Rio de Janeiro fosse sempre fevereiro... SEMPRE MÊS DE CARNAVAL!!!" escutei uma vez um Aladin gritar!


PÉ DIREITO


A criança que eu sou pare uma nova eu a cada instante em que me solicito.
Morro e entro na placenta da minha alma sempre que preciso voltar a gostar de mim; eu mudo de casa pra sentir tudo fresquinho..



Meu ser humano é fonte do trabalho poético que faço. Se eu não estiver em profundo fechamento comigo.. nem sirvo, nem amo, nem me divirto.
Respeito e observo todo universo que me aparece. Revelei o meu pra mim mesma.. sei o tamanho de um,
o quanto eterno e estrelado é o imaterial que movimenta o eixo da vida de uma pessoa.

Acabei que acolher a marca que os ciganos deixaram na minha tireoide. Vou, em mim para qualquer lugar se estiver confortável aqui dentro. Tenho missão e ela é ainda mais bonita que tudo aquilo que entendo.

Surpresas e presentes dos caminhos que ainda serão trilhados farão a confirmação do primeiro pé direito que pisei lá no início da minha existência.