domingo, 19 de junho de 2016

Depois dos farrapos...

Ó, Jah jah, tá tudo entregue, viu? Meus olhos mais claros, minhas vontades absolutas, minha espinha dorsal e os cuidados que sempre terei com a amada alma que me deu.
Desmistificando a matéria vem a efemeridade da vida e a eternidade do espírito.
As estradas mudam, num piscar de olhos. Quem seria eu sem a proteção divina, pelos caminhos?
Se há coragem pra ser o que sou, com a elegância adquirida em anos de tombos e escoriações,  é graças ao entregue espírito que sempre tive, mas não entendia direito.
Mesmo de pés quebrados eu voltei pras sapatilhas, porque é parte da minha natureza, assim como a poesia, os livros, a fé, a permissão, os sabores das coisas e a verdade.
E quando o sol volta, depois de uma noite fria ou cai uma chuva boa no sertão, tudo se torna esperança e constatação de ciclos.
Vamos ficando tão esfarrapados, em alguns momentos das nossas vidas, que não percebemos que é só o nascimento de uma estrela, no centro de nós.
Faz-se necessário respirar, ouvir o eco do próprio silêncio pra conversar consigo próprio. E essa reunião vai ser tão bombástica, para seu imaginário, como a que pretende ter com Deus, depois que morrer. 
O tempo é senhor de mudanças e perdemos grandes momentos de auto-compreensão distraídos, covardes ou egóicos.
Uma vez que a luz nasce no nosso entendimento, começamos a caprichar na composição das nossas vidas e é aí, que Jah vem resplandecer.
Não importa o nome ou o que você entende por Deus, se traduziu minha prece o seu é o mesmo que o meu.
O futuro é meu presente, dado a mim e que retribuo a quem me presenteia. Sou a mão que escreve o verso, não a inspiração.

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